Administração debate orçamento da ÌìÃÀ´«Ã½ com comunidade acadêmica

A verba destinada à Universidade Federal do Amapá (ÌìÃÀ´«Ã½), após sucessivos cortes no orçamento, e as reais necessidades da ±õ²Ô²õ³Ù¾±³Ù³Ü¾±Ã§Ã£´Ç foram temas de assembleia pública na manhã desta sexta-feira, 01, no salão do Centro Integrado de Pesquisa e Pós-graduação (CIPP).

Cerca de 120 pessoas acompanharam durante aproximadamente três horas detalhes sobre a distribuição dos montantes liberados pelo Governo Federal após a abertura do orçamento para o exercício deste ano.

O pró-reitor de planejamento, Alan Jasper, discorreu sobre os valores e informou que a Universidade encontra-se no limite para honrar os contratos de custeio – aqueles usados para o pagamento de água, luz, compra de materiais, serviços de vigilância patrimonial e de limpeza dos campi, por exemplo.

Todo mês a Universidade deveria receber um quantitativo orçamentário da ordem de R$ 1,8 milhões a R$ 2 milhões.

Desde janeiro, a ±õ²Ô²õ³Ù¾±³Ù³Ü¾±Ã§Ã£´Ç não recebe este recurso na sua totalidade.

A ÌìÃÀ´«Ã½ vem acumulando dívidas neste período.

“É como se vocês tivessem um cartão de crédito com limite de R$ 1 mil.

Suponhamos que seu salário também seja de R$ 1 mil.

Porém, no mês posterior você recebe apenas metade do valor, R$ 500.

Então, você acumula uma dívida de R$ 500 no cartão”, exemplificou Alan Jasper.

“Em determinado momento”, alertou, “não será mais possível ter o serviço contratado se não houver pagamento”.

Este mês de junho, a despesa da Universidade girou em torno de R$ 2,9 milhões, segundo dados apresentados na reunião.

Do total, o Ministério da Educação (MEC) repassou apenas 31,13% do valor devido.

A prática do MEC já compromete pagamento de serviços básicos para o funcionamento.

O problema, segundo a reitora da ÌìÃÀ´«Ã½, Eliane Superti, é que essa prática do não repasse integral ocorre desde o início do ano.

“A ±õ²Ô²õ³Ù¾±³Ù³Ü¾±Ã§Ã£´Ç pode parar se continuar nesse ritmo”, afirmou a reitora.

Diante do cenário que se apresenta, a reitora esteve em Brasília em uma reunião com os demais reitores da região Norte onde expuseram a situação extrema ao ministro da educação, José Mendonça Bezerra Filho.

Segundo Superti, o ministro entrou em contato com a ÌìÃÀ´«Ã½ esta semana e garantiu que haverá repasse (não integral) até a próxima segunda-feira, 04.

“Estamos cautelosos, mas esperando esse dinheiro para normalizar o pagamento das empresas e oferecer condições de funcionamento da nossa Universidade”.

A reitora lembrou que essa situação não se restringe à ÌìÃÀ´«Ã½.

As outras universidades da região Norte enfrentam o mesmo problema e, pela falta de repasse, algumas já pararam as suas atividades em determinados campi.

O pagamento das empreiteiras contratadas também começa a ficar comprometido.

A capacidade de investimento – despesas com obras – é outro problema enfrentado pela administração.

A redução na capacidade institucional de investimento na infraestrutura é o que chama atenção, uma vez que a universidade ainda está em consolidação de sua estrutura física.

As obras, ainda que não paralisadas, prosseguem em um ritmo que não é o desejado, segundo a administração.

Um exemplo utilizado foi a recente inauguração do prédio de Fisioterapia que deveria ter sido entregue há, pelo menos, três meses atrás.

Durante a reunião também foram tratadas as situações dos campi em Oiapoque, Mazagão e Santana.

Dos três, Oiapoque vem enfrentando sérias dificuldades financeiras e de infraestrutura.

Por esse motivo, não haverá – por enquanto – novos vestibulares no campus Binacional.

“Nós não vamos fechar o campus Binacional.

O que não será possível é a realização de processos seletivos para o ingresso de novos acadêmicos.

Estamos trabalhando para melhorar a infraestrutura para tal”, explicou a reitora.

Superti indicou que a situação do campus Binacional em Oiapoque é delicada.

Durante a reunião, a reitora mostrou um documento onde consta a pactuação do campus Oiapoque no dia 23 de novembro de 2010, junto ao MEC, assinados pelo reitor à época e o Secretário da Educação Superior para a criação do campus.

Para que fosse implantado, estava previsto um investimento da ordem de R$ 40 milhões.

Destes, R$ 31 milhões destinados a obras e R$ 9 milhões em equipamentos.

Com o documento assinado, a Universidade pôs em prática todos os seus trabalhos.

Concursos para técnicos e professores foram realizados.

Os Processos Seletivos ocorreram e iniciaram-se as aulas.

Porém, segundo Superti, o recurso alocado no acordo não veio.

A ÌìÃÀ´«Ã½ não recebeu os recursos, mas instalou o campus.

Dos R$ 40 milhões prometidos, apenas R$ 6 milhões foram liberados.

Dos R$ 6 milhões, a Universidade conseguiu utilizar apenas R$ 1 milhão, pois a empresa contratada para a obra faliu.

“Apesar das dificuldades, temos conseguido manter o campus binacional.

Os parlamentares auxiliam com suas emendas e assim vamos conseguir ampliar a infraestrutura”, afirmou.

Obras no campus Santana e investimentos em Mazagão também foram anunciados.

Ao final da explanação, a comunidade acadêmica contribuiu com sugestões e ideias para passar pelo momento de crise.

A administração informou que outros encontros de prestação de contas serão realizados.

Todas as informações orçamentárias detalhadas podem ser obtidas pela sociedade nos endereços eletrônicos e

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