Objetivo do curso foi promover ações que desenvolvessem habilidades e consciência crítica nos participantes, que poderão integrar comissões de heteroidentificação. Encerramento da capacitação ocorreu na última sexta-feira, 24, no campus Marco Zero do Equador, em Macapá (AP).
A Universidade Federal do Amapá (ý), por meio do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) e em parceria com o Grupo de Estudo, Pesquisa, ٱԲã e Intervenção Pedagógica em Corporeidade, Arte, Cultura e Educação para as Relações Étnico-raciais com ênfase em Educação Cultural e Escolar Quilombola (Gepei), realizou, no período de 14 de setembro a 24 de novembro de 2023, o Curso de Capacitação para Comissões de Heteroidentificação. O encerramento do curso ocorreu na última sexta-feira, 24, no auditório do Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas (Dcet), localizado no campus Marco Zero do Equador, em Macapá (AP).
O objetivo do curso foi promover ações que desenvolvessem habilidades e consciência crítica em servidores, gestores, professores, técnicos, discentes, movimentos sociais e instituições públicas com relevância nas políticas públicas de promoção da equidade racial e que poderão participar como integrantes em comissões de heteroidentificação.
A mesa de encerramento foi composta pela coordenadora do curso, Profa. Dra. Piedade Videira; pelo pró-reitor de ٱԲã e Ações Comunitária da ý, Prof,. Dr. Robert Zamora; pelo Me. Enilton Vieira, um dos idealizadores da capacitação; pela coordenadora geral do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab), Profa. Dra. Suzana Santo; e pela palestrante do evento, Profa. Dra. Dyane Brito Reis Santos, da Universidade Federal do Recôncavo Bahiano (UFRB).
Em seu discurso, a Profa. Dra. Piedade Videira enfatizou a importância de se conhecer os processos históricos e sociológicos que contribuíram para a abordagem racista em vários aspectos sociais, desde a educação até a ciência, com formulações de teorias que afirmam o racismo antinegro.
“Nesse momento final, é importante avaliarmos toda essa trajetória, todo esse processo de leitura, de aprendizado, de reconhecimento dessa pauta histórica e política, do passado e do presente para projetar o futuro que nós queremos vivenciar enquanto cidadãos e cidadãs brasileiras. Nós queremos, de fato, viver uma democracia plena e uma cidadania absoluta e com desigualdade, com a prevalência do racismo, com os processos de exclusão que estão aí muito bem sistematizados e enraizados, não é possível”, observou a coordenadora do curso.
O pró-reitor de ٱԲã e Ações Comunitárias, Prof. Dr. Robert Zamora, parabenizou a equipe de organização do curso e ressaltou que capacitações como a que foi realizada são mecanismos ou políticas de formação educativas. A coordenadora geral do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab), Profa. Dra. Suzana Santo, desejou que essa ação de capacitação faça com que os participantes e a sociedade se mantenham alerta em relação à implementação da Lei de Cotas dentro e fora da ý. Um dos idealizadores do curso, o Me. Enilton Vieira fez um resumo do que foi abordado durante os dois meses da capacitação e expressou o desejo que os cursistas possam ser guardiões de uma política que pretende ser inclusiva para diversos tipos de pessoas.
O encerramento iniciou com uma leitura dramática da peça “Mulher do Fim do Mundo”, realizada pela atriz, bailarina e artista circense Ana Caroline, quem dá vida à personagem da montagem teatral. Após a fala das autoridades, a palestrante convidada, Profa. Dra. Dyane Brito Reis Santos, iniciou seu momento com um breve relato da sua trajetória acadêmica e, em seguida, abordou os desafios e avanços da Lei de Cotas, destacando sua importância no contexto das políticas de ações afirmativas.
Cláudio Afonso Soares é servidor da Secretaria de Estado de Educação do Amapá (Seed) e um dos participantes do curso. Ele ficou sabendo da capacitação pelo site do Neab e se interessou pelo curso por já participar de bancas de heteroidentificação.
“Com o curso, percebi que a função da banca de heteroidentificação não é dizer quem é preto ou negro, é simplesmente fazer essa leitura social, ver se essa pessoa é ‘lida’ como preto dentro de uma leitura social, e identificar a questão do fenótipo mesmo, sem necessidade de fazer perguntas dentro de uma banca”, declarou Cláudio Soares.
O projeto contou com o apoio do Senador Randolfe Rodrigues, que destinou emenda parlamentar no valor de R$150 mil.
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