O Curso de Licenciatura Intercultural IndÃgena (CLII) da Universidade Federal do Amapá (ÌìÃÀ´«Ã½) completou dez anos no mês de julho e, para marcar essa década de atuação entre os povos indÃgenas do Amapá e norte do Pará, o curso promoveu o I Seminário “Os IndÃgenas e a Universidade: 10 anos de Lutas, Conquistas e Desafios do Curso de Licenciatura Intercultural IndÃgena – ÌìÃÀ´«Ã½Â”, realizado entre 12 e 18 de julho no campus Binacional do Oiapoque.
Durante os sete dias do evento foi discutida a presença indÃgena na Universidade, com foco na necessidade da ampliação e adaptação das polÃticas de acesso e permanência dos indÃgenas aos cursos de graduação e pós-graduação da ÌìÃÀ´«Ã½.
A necessidade de investimentos no CLII e a criação de cursos de pós-graduação direcionados para os indÃgenas também estiveram em pauta, além de temas como a formação de mestres e doutores indÃgenas e o preconceito dentro da Universidade, frequentemente relatado pelos participantes.
Destaca-se nessas discussões o protagonismo e a resistência indÃgena, bem como o amadurecimento polÃtico e epistemológico dos acadêmicos.
Um dos destaques do seminário foi a participação dos doutores Almires Martins Terena e Edson Kayapó, que falaram de suas trajetórias acadêmicas e também da necessidade de “descolonizar” a Universidade, ou seja, quebrar a hegemonia do pensamento ocidental que trata o “saber tradicional” dos povos indÃgenas como inferiores quando comparados ao “saber cientÃfico”.
Para a comissão organizadora do evento, o seminário abre um espaço de discussão de questões concernentes aos povos indÃgenas e reforça o protagonismo indÃgena, além de possibilitar a troca de conhecimentos e experiências através do diálogo, debates e da apresentação dos trabalhos acadêmicos.
Durante o seminário houve a formatura de 41 novos professores graduados indÃgenas, pertencentes aos povos Galibi-Marworno, Karipuna, Palikur, Waiãpi e Apalai.
A cerimônia foi repleta de momentos simbólicos, como o canto das mulheres indÃgenas, que abençoou os formandos.
O rito de formatura contou com a ampla participação das comunidades indÃgenas, além da comunidade acadêmica.
* Texto: Elissandra Barros * Fotos: Loyanna Santana e Davi Galibi
