Carta de Reitores da Amazônia A intolerância e a violência não podem ser naturalizadas em nossa sociedade Os nÃveis de violência polÃtica nas últimas semanas no Brasil e, sobretudo, nas regiões onde atuam nossas universidades são preocupantes, e merecem atenção urgente.
Tanto no campo, quanto nas cidades, as barbáries expõem nossos cotidianos e atinge principalmente parcelas vulnerabilizadas da população brasileira.
São violências privadas, para garantir a grilagem de terras, acesso a recursos naturais, como a venda ilegal de madeira, e garantidas pela omissão do Poder Executivo e pela impunidade do Poder Judiciário.
A omissão ocorre, no caso da violência contra povos indÃgenas, pela falta de demarcação das terras.
Isso foi o que levou ao ataque genocida, em Viana, no Maranhão, descrito por uma liderança indÃgena como uma “tentativa de linchamento”.
Mas também com a brutalidade com que a polÃcia legislativa recebeu a pacÃfica manifestação indÃgena em BrasÃlia, que demandava, justamente, a demarcação das terras indÃgenas.
Houve omissão também em relação à reforma agrária e ao combate à grilagem que gera os conflitos fundiários.
O massacre em Colniza, no Mato Grosso, pelas informações iniciais e atrelando-se ao histórico local, associa-se tanto à grilagem de terras quanto à venda ilegal de madeiras; portanto, duas responsabilidades do Poder Executivo.
A omissão do Poder Judiciário, refletida pela impunidade de mandantes destes crimes bárbaros, protegendo aquelas pessoas com interesse econômico direto nas mortes e execuções polÃticas, realizadas por meio de pistoleiros, contribui para a consolidação da prática da violência, crescente.
Em toda a Amazônia — do Maranhão ao Mato Grosso, do Amapá ao Sul do Pará — temos assistido a uma crescente onda de violência que remete aos piores momentos da história, como a transição da ditadura para a Nova República, nos violentos anos de 1985 e 1986, com absurdos Ãndices de assassinatos no campo.
Estas barbáries no campo são reproduzidas com intolerância e violência nas manifestações polÃticas nas cidades, tal qual a agressão gratuita da polÃcia contra Mateus Ferreira, o estudante da Universidade Federal de Goiás, ainda hospitalizado.
Estes não são fatos isolados, mas mostram que estamos à margem do Estado de direito, caminhando em direção a um regime de exceção, com todos os temores que isso implica para a sociedade.
As universidades públicas, como instituições sociais com a função de produção de conhecimento e formação de pessoas e visando aos princÃpios democráticos e do direito à diversidade, cumpre aqui parte do seu papel de chamar a atenção das comunidades universitárias e de toda sociedade para o fato de que essa onda de intolerância não pode ser naturalizada em nossa sociedade! Manifestamos nossa solidariedade à luta dos povos indÃgenas pela demarcação de suas terras e à s reivindicações das demais populações vulnerabilizadas do campo e da cidade por melhores condições de vida.
Repudiamos as tentativas de criminalização de suas lideranças e apoiadores.
Reitor MaurÃlio Monteiro – Unifesspa Reitora Eliane Superti – ÌìÃÀ´«Ã½ Reitora Myrian Thereza de Moura Serra –UFMT Reitora Raimunda Nonata Monteiro – UFOPA Reitora Nair Portela – UFMA
